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Saúde

Palhaços doutores alegram pacientes no Hospital Municipal

Por Saúde

Publicado em 28/09/2014

DSC_0078O Hospital Municipal Desembargador Leal Junior, em Itaboraí, conta com uma inusitada “junta médica” para ajudar no tratamento dos pacientes internados. Uma equipe formada por 14 palhaços doutores usa a alegria como terapia para melhorar a recuperação das crianças e adultos doentes e humanizar o ambiente hospitalar. O objetivo é transformar a dor e a tristeza em sorriso e diversão por meio da magia do circo, proporcionando momentos de descontração para os hospitalizados, familiares e funcionários que trabalham na unidade de saúde.

O trabalho acontece desde junho deste ano no hospital municipal, de forma voluntária. Vestidos de médicos, três grupos de artistas – “Trupe Dá Alegria”, “+Sorriso” e “Sementes da Alegria” – todos moradores de Itaboraí, se revezam nas tardes de sábado para entrar em cena, ou melhor, nas enfermarias, salas e corredores do hospital, realizando brincadeiras com os pacientes e familiares, além de levar canções e contar muitas histórias e piadas.

Para a diarista Lucimar da Rocha, 43 anos, que estava com o filho Gabriel da Rocha Muniz, 7 anos, a presença dos palhaços foi uma surpresa. O menino, que havia sido operado para retirada de um cisto bronquial, riu tanto que até se esqueceu das dores durante a sua recuperação.

“Meu filho foi bem atendido, e ainda teve motivos a mais para sorrir com os palhaços e as brincadeiras. Acho que agora a recuperação dele vai ser mais rápida, pois a alegria também é um santo remédio”, disse Lucimar.

Para a paciente Iolanda Cordeiro Campos, 43 anos, internada há duas semanas, a visita alegrou o ambiente. 

“Eles conversam, brincam e fazem a gente esquecer um pouco da dor. É um trabalho muito bonito”, afirmou.

A inspiração para realizar o trabalho vem do consagrado grupo “Doutores da Alegria”, que desde 1991 trabalha a arte da palhaçaria em hospitais públicos no Brasil. A atriz Dayane Franco, que se transforma na doutora Matraca, da “Trupe Dá Alegria”, é formada pelo grupo, onde aprendeu sobre a abordagem artista–paciente, caracterização de figurino e maquiagem, além de técnicas com malabares. Ela acredita que as pessoas precisam de cuidados, mas também de bom humor ou apenas de um sorriso.

“A essência do nosso trabalho é utilizar a caracterização do palhaço, que brinca de ser médico e permite um pouco de diversão. Temos cuidado no modo de intervir na rotina hospitalar. Estamos aqui para ajudar na recuperação e autoestima dos pacientes através da música, de uma palavra ou de um sorriso. Trabalhamos com muita responsabilidade para que a visita seja uma experiência artística que inspire otimismo e esperança. Sentimos um ambiente agradável, e os pacientes aproveitam nossa visita para descontrair e até cantar. Se a gente fizer alguém rir de nossas palhaçadas, nossa missão está cumprida”, explica Dayane.

As apresentações têm surtido o efeito desejado. Para o diretor geral do Hospital Municipal de Itaboraí, Marcos Souza, a atuação dos palhaços já mudou a rotina do unidade e auxilia na recuperação dos pacientes.

“É normal vivenciar momentos de preocupação nos hospitais, devido ao uso de remédios, realização de exames, mas esta ação acaba afetando a todos, desde os médicos, enfermeiros, enfim, a equipe de profissionais da unidade com os usuários. Eles começaram o trabalho só com as crianças, mas já ampliaram para a ala adulta. Os pacientes da terceira idade adoram os palhaços e ficam na expectativa da visita. Está sendo uma experiência muito positiva. Alguns até já pedem a presença deles”, enfatizou.

O secretário municipal de Saúde, Edilson Francisco dos Santos, que é pediatra, lembra da importância de manter a alegria dentro do ambiente hospitalar.

“Se rir é o melhor remédio, como dizem, o Hospital Municipal Desembargador Leal Junior, em Itaboraí, está com o estoque cheio deste ‘medicamento’. As pessoas normalmente ficam tristes em hospitais, e é necessário dar um pouco de alegria, levar mensagens positivas e de fé, além de animar a garotada. É comprovado que a alegria ajuda no tratamento e recuperação dos pacientes. O riso permite um relaxamento que ajuda a normalizar a respiração arterial. Se as pessoas tivessem o hábito de rir várias vezes ao dia, amenizariam a descarga de adrenalina no organismo e teriam uma proteção cardiovascular, uma proteção vascular contra anginas, infartos, derrames e doenças vasculares”, frisou.

DSC_0051Alegria que cura

Pesquisas científicas confirmam que o riso funciona como estimulante do cérebro na produção de beta-endorfinas, substâncias que têm importante potencial analgésico, contribuindo para o alívio ou eliminação da dor, melhorando a circulação, a pressão arterial, as defesas orgânicas contra infecções e alergias, e relaxando os vasos sanguíneos. Estudo feito pelo Centro Médico da Universidade de Maryland (EUA) mostrou que rir protege contra infartos e doença coronárias.

A história do riso

Hipócrates, o pai da medicina no século IV A.C, já utilizava animações e brincadeiras na cura de pacientes. Darwin, pioneiro no estudo dos movimentos expressivos da comunicação não-verbal, classificou em seu livro ‘A expressão das emoções nos homens e nos animais’ (1872) o sorriso e o riso entre os movimentos expressivos inatos e universais.

Na França, Jeanne Louisie Calmet, falecida em 1997 aos 122 anos, afirmou que o segredo da longevidade é sorrir sempre. Na Índia, algumas empresas têm o costume de fazer uma sessão de riso antes de iniciar a jornada de trabalho. O resultado é um aumento considerável na produção, em decorrência do bem-estar físico e emocional dos trabalhadores.

A terapia do riso ou a risoterapia foi propagado pelo médico norte-americano Hunter Doherty “Patch” Adams, chamado de “Patch Adams”, que desde a sua época de estudante já implantava este método em hospitais e escolas. Ele observou o baixo estado de alegria e de humor em seus doentes. Então, resolveu introduzir a terapia do riso, ou seja, um descondicionamento de atitudes e hábitos perniciosos para viver com amor e felicidade. Patch e sua trupe de palhaços viajam pelo mundo para áreas críticas em situação de guerra, pobreza e epidemia, espalhando alegria, o que é uma excelente forma de prevenir e tratar muitas doenças.

Texto Renata Nery

Fotos Edimilson Domingos

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