VOLTAR PARA O PORTAL DE NOTÍCIAS
Casa Heloísa Alberto Torres comemora 204 anos
Por
Publicado em 17/09/2014
A Prefeitura de Itaboraí, por meio de sua Fundação Cultural promoveu na noite da última terça-feira (16), a antecipação de comemoração dos 204 anos de história da Casa Heloísa Alberto Torres (Chat). Celebrado em 17 de setembro, se estivesse viva, a antropóloga que dá nome ao local completaria 119 anos.
O evento contou com a abertura da exposição “Depois da Festa”, do artista autodidata itaboraiense Orlei Alves, conhecido popularmente como “Delegado”. Ao todo, 10 peças da arte Oleira, feitas com barro, queimadas ao forno e pintadas, além de peças do artista contidas no acervo da Chat. Nas obras de arte, o autor brinca com os artistas boêmios e o estado em que ficam depois de uma noite inteira de alegria.
Um espaço dedicado aos bustos ficou logo na entrada da Casa. Feitos por Orlei, as esculturas de Heloísa Alberto Torres; seu pai, Alberto Torres; o Visconde de Itaboraí e o inédito busto do teatrólogo João Caetano, personalidade que dá nome ao Teatro Municipal.
E ainda peças feitas com uma fórmula criada por ele, o caucilito – material de grande resistência que pode ser exposto ao sol e chuva poucos minutos após a finalização da obra, não vai ao forno e fica aproximadamente 40% mais leve que o barro – técnica trabalhada durante três anos de tentativa.
“Eu sinto-me prestigiado em poder participar deste evento expondo minhas obras de arte. Há cinco anos não exponho e entrar neste circuito, fazendo parte da comemoração dos 204 anos desta Casa me faz acreditar ainda mais que a Cultura de Itaboraí está pensando e valorizando os artistas locais.”, agradeceu Orlei, já planejando sua próxima exposição, intitulada de “Tão Só”.
O presidente da Fundação Cultural de Itaboraí (FCI), Cláudio Rogério Dutra agradeceu o empenho e dedicação da sua equipe, que tem vivido dificuldades e batalhas para manter viva a arte e cultura do município. E ainda anunciou uma novidade: tentar trazer o mestre Orlei Alves para dar aula na Escola de Artes e Ofícios Professor Washington Luiz José da Costa.
“Não podemos deixar morrer esta tradição de mais de 400 anos em nossa cidade. Até os anos 70, em Itaboraí, alguém trabalhava ou conhecia alguém que trabalhasse em uma olaria. Nosso objetivo é preservar a história do nosso município. E o legado da família Torres para Itaboraí é de um valor inestimável, sendo objeto de carinho e orgulho de toda população itaboraiense”, frisou Dutra destacando que a Chat é o principal espaço de cultura e memória do município de Itaboraí.
O arquiteto do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Superintendência do Rio de Janeiro, Mauro Pazzini ministrou uma palestra sobre as ações do Iphan e Patrimônio Cultural, e recebeu das mãos do oleiro Orlei Alves uma peça de arte como forma de presenteá-lo.
“Primeiramente gostaria de agradecer pelo convite e ressaltar que fico feliz em ver tantas pessoas aqui nesta noite, é uma questão de valorização do nosso trabalho. Trabalhar com patrimônio histórico não é fácil, ainda lidamos com a parte de manutenção e conservação dos monumentos. Nosso objetivo é preservá-los com o intuito de deixar a história viva para vocês”, destacou Pazzini, ressaltando alguns monumentos do Rio de Janeiro tombados pelo Iphan, como o Cristo Redentor, o Maracanã, a Quinta da Boa Vista e outros.
Abrilhantando o evento, a violoncelista Clara Borges tocou as canções Smile, de Charlei Chapin; Cinema Paradiso, de Ennio Morricone; Minueto da Primeira Suíte para Violoncelo, de Johann Sebastian Bach e o Segundo Concertino para Violoncelo em Dó Maior, de Bréval. “Acho fundamental encontros como este, trazendo artistas locais e de fora, com o intuito de integrar e movimentar a cultura”, disse a estudante do 3º período de Licenciatura em Música pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Ainda houve as apresentações do “Sanfoneiro do Oeste”, com a canção “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga. O cantor sertanejo Eldir Gomes, com a música “No Rancho Fundo”, de Chitãozinho e Xororó, e a Companhia de Dança R.I.O., com a montagem musical ON.
A exposição, gratuita, ficará na Chat até o dia 17 de outubro, de terça a quinta-feira, das 9h às 17h. Sexta-feira, das 9h às 22h, e sábados das 18h às 22h. A Casa Heloísa Alberto Torres fica na Praça Marechal Floriano Peixoto, n° 303, Centro, Itaboraí.
Participaram do evento os secretários municipais de Fazenda, Rodney Mendonça; o de Indústria, Comércio e Turismo, Luiz Fernando Guimarães, a de Desenvolvimento Social, Suely Lopes, o Controlador do município, Marcos Mendonça e o Restaurador do Museu do Ingá, em Niterói, Adilson Figueiredo.
Casa Heloísa Alberto Torres (Chat)
Com vasta biblioteca, artigos particulares e a mobília oitocentista da família Torres, a Casa Heloísa Alberto Torres é administrada pela Fundação Cultural de Itaboraí (FCI) em cooperação técnica com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Superintendência do Rio de Janeiro.
Noticias em Destaque