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Educação

Crianças internadas recebem kits de leitura da Felicita

Por Educação

Publicado em 24/09/2014

crianças internadas 2Embalados pela Felicita, feira literária que ocorreu semana passada no Clube Vera Gol, em Itaboraí, crianças internadas na pediatria do Hospital Municipal Desembargador Leal Júnior também receberam os kits de leitura distribuídos durante o evento, contendo bolsa e dois livros infanto-juvenis.

Diagnosticado com celulite facial – processo inflamatório nos tecidos faciais – e internado desde 17 de setembro (dia da abertura da Felicita), o estudante Joelfson Avelino dos Santos, 8 anos, da Escola Municipal Therezinha de Jesus Pereira da Silva, em Rio Várzea, foi um dos mais empolgados com a ação. A iniciativa partiu da pedagoga Leomar Avellar, professora de pedagogia hospitalar do município.

“Eu sabia que teria a Felicita, porque na escola nós fizemos trabalhos sobre os homenageados, mas fiquei doente. É muito legal poder receber esses livros. Eu já li cinco: os meus e os dos meus amigos que estão aqui”, comentou o estudante, destacando seus títulos preferidos “A Menina que Não Gostava de Meias”, “Smoog – O Duende da Sorte” e “Os Três Porquinhos”.

Segundo a professora Leomar Avellar, que atua há 14 anos na rede municipal de ensino, a ideia de trazer a Felicita para o setor de internação pediátrica do hospital surgiu após sua ida ao evento, no primeiro dia aberto ao público (18).

“Fui pela manhã. À tarde, vim para o hospital, ainda com a pulseira de identificação de visitante no braço. As crianças perguntaram se havia começado a Feira, pois muitos sabiam da programação. Eu mostrei as fotos da estrutura, dos personagens de desenhos animados, dos livros e outros, e eles demonstraram querer estar lá. Assim, no dia seguinte comecei a distribuir os kits”, disse a docente.

O objetivo da ação, afirma Leomar, é proporcionar momentos de alegria para os pacientes internados, mantendo assim, um vínculo entre a criança e a escola, contribuindo também para aumentar a eficácia do tratamento médico.

“Ler é algo que os faz viajar no mundo da imaginação. É um trabalho gratificante, e agradeço muito aos pais e acompanhantes, que sempre estão dispostos a ajudar. Participo de muitos momentos de alegria e tristeza aqui, mas vê-los recebendo alta médica é uma felicidade para todos nós. Espero, em breve, rever todos na escola”, completou a professora.

Acompanhante do neto, Célia Gomes da Silva elogiou não só esta iniciativa, mas o trabalho como um todo.

crianças internadas 1“Eu vim da Bahia para ajudar no cuidado com ele, pois minha filha tem mais dois filhos pequenos. Assim, eu fico revezando com outra filha. O Joelffson está em Itaboraí há apenas dois meses, por conta do trabalho do pai no Comperj. Quero agradecer pela atenção e carinho que estamos recebendo do hospital e da professora”, enfatizou Célia.

Classe hospitalar: atendimento pedagógico no Leal Junior

A Secretaria Municipal de Educação e Cultura, por meio da Coordenação de Educação Especial, realiza o  trabalho pedagógico no hospital municipal há um ano, completados no último dia 9 de setembro. Destinado a crianças de 1 a 13 anos de idade, o projeto funciona de segunda a sexta-feira, no turno da tarde, sendo ministrado desde o início pela professora Leomar Avellar. É realizado no leito, com currículo funcional, podendo ser individual ou até mesmo em grupo, dependendo da situação clínica e psicológica da criança.

O trabalho conta com leitura, escrita, contação de histórias, jogos e vídeos educativos, e acompanhamento pedagógico e psicológico. Quando a internação ultrapassa cinco dias úteis, é solicitado junto à escola – pública ou privada – o fornecimento de material e conteúdo estudados na unidade escolar, que é repassado aos alunos-pacientes.

A ação não é obrigatória. No Brasil, ainda não há políticas públicas específicas para o atendimento pedagógico hospitalar, mas existem algumas leis que defendem, priorizam e garantem o acesso permanente de crianças e adolescentes ao ambiente escolar. Itaboraí tomou como base a Resolução N°02/2001 do Conselho Nacional de Educação, uma normativa do capítulo V da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).

A pedagogia hospitalar, em termos gerais, surge com o intuito de prestar atendimento pedagógico hospitalar a todas as crianças e adolescentes que se encontram em regime de internação permanente, temporária ou parcial no ambiente hospitalar. O intuito é fazer com que esses indivíduos não sofram nenhum tipo de atraso referente ao desenvolvimento cognitivo e ao acesso e permanência na escola, bem como também amenizar o sentimento de angustia desenvolvido em si próprio pela incapacidade de realização devido ao processo de internação.

“Nosso objetivo com este trabalho é dar continuidade ao que é ensinado na escola e contribuir para um melhor ambiente hospitalar. Atualmente, a rede municipal de ensino presta atendimento pedagógico domiciliar a dois estudantes da rede, um com problemas de distrofia muscular e outro com imunidade baixa”, disse a coordenadora de Educação Especial, Valéria Sales.

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