MEC avalia implantação do curso de Medicina na cidade
Por Saúde
Publicado em 28/04/2014
Uma comissão do Ministério da Educação (MEC), formada por médicos de São Paulo, Minas Gerais e do Espírito Santo, esteve em Itaboraí na quinta (24) e na sexta-feira (25) visitando as unidades e programas de saúde. A vistoria é parte do processo de avaliação para implantação de uma faculdade particular de medicina na cidade, uma das três no Estado do Rio escolhidas para receber o curso, juntamente com Angra dos Reis e Três Rios.
O relatório dos avaliadores do MEC é uma das principais etapas do processo iniciado em 2013, com a abertura de um edital do governo federal específico para instituições de ensino superior privada. Apenas 49 das 154 prefeituras que disputavam a instalação do curso foram pré-selecionadas na primeira etapa de avaliação.
A comissão foi recebida pelo prefeito Helil Cardozo em seu gabinete, que destacou que a cidade atende aos principais requisitos do ministério, tendo a estrutura necessária, profissionais qualificados e uma política de saúde que vem apresentando resultados significativos.
“Este é um pleito de décadas. Além de tecnicamente preparada, Itaboraí vive um momento de mudanças. A vinda de um curso de Medicina representaria a consolidação desse retorno ao crescimento, da afirmação de nossa cidade enquanto polo regional. Essa é uma das fases de qualificação do município, vamos torcer! A expectativa é a de que empregos sejam gerados e os profissionais formados trabalhem nos programas de saúde desenvolvidos pelo município”, afirmou o prefeito.
O encontro contou ainda com a presença do Secretário de Saúde de Itaboraí, Edilson Francisco dos Santos, que somou-se a comissão em nome do executivo municipal, para reforçar apoio ao projeto.
“Esse é o passo inicial para que Itaboraí ganhe a implantação deste curso. Como médico e gestor na área, sei o quanto uma faculdade de medicina desenvolve uma cidade e uma região”, ressaltou.
Durante dois dias a comissão visitou as Unidades de Saúde da Família de Areal, Visconde e Helianópolis, as Policlínicas de Especialidades Médicas José de Oliveira (Filoco), localizada em Manilha e a Prefeito Francisco Nunes, em Nancilândia, o Hospital Municipal Desembargador Leal Junior, a Unidade de Pronto Atendimento 24h (UPA), em Manilha, o Atendimento Médico Emergencial 24h (AME), em Itambi, Ambulatório Central de Saúde Mental, o Centro de Assistência Psicossocial (CAPS) Pedra Bonita e o Hospital Adventista Silvestre (unidade particular).
Mais Médicos
Os novos pedidos de autorização do curso de medicina terão como base as regras dispostas na Lei nº 12.871/2013 que institui o Programa Mais Médicos. De acordo com a norma, a autorização para o funcionamento de curso de graduação em medicina, por instituição de educação superior privada, será precedida de chamamento público, para selecionar instituições de ensino interessadas a atuar nestes locais .nos termos de um edital que será publicado em 90 dias.
Ainda de acordo com a lei, a autorização para funcionamento de novos cursos de graduação de Medicina deverá, ouvido o Ministério da Saúde, priorizar municípios e regiões com menor relação de vagas e médicos por habitante e com estrutura de serviços de saúde em condições de ofertar campo de prática suficiente e de qualidade para os alunos.
De acordo o consultor do MEC e do Ministério da Saúde, o médico geriatra Carlos Rodrigues da Silva Filho, as visitas são necessárias para que se possa ver “com os próprios olhos” o funcionamento das unidades de saúde e a estrutura dos espaços públicos à inserção dos estudantes na rede pública de saúde. A comissão também aproveitou para verificar o trabalho realizado pelos médicos cubanos que atuam nas USFs de Areal e de Visconde.
“Observamos que os gestores e profissionais de saúde trabalham de forma bastante profissional. A nossa visita teve o objetivo de conhecer o município, verificar se as informações enviadas pela Secretaria de Saúde batem com o que realmente existe. Os dados colhidos serão relatados ao MEC, que irá analisar e decidir se Itaboraí será contemplado com uma faculdade de medicina”, afirmou.
“Temos conhecimento que a cidade é a sede do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj) e o prefeito Helil Cardozo também é o presidente do Conleste (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento do Leste Fluminense), que congrega 15 municípios fluminenses da área de impacto gerados pelo COMPERJ (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro). Este tipo de união facilita a captação de recursos para toda região, não só para o município, além de descentralizar os cursos em áreas distantes”, destacou Carlos Filho, que também é especialista em educação médica.
Texto: Renata Nery
Foto: Sandro Giron