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Meio Ambiente e Urbanismo
Parque Paleontológico recebe estudantes de Geologia
Por Meio Ambiente e Urbanismo
Publicado em 23/03/2015
O Parque Paleontológico Municipal de São José, em Itaboraí, recebeu, nesta sexta-feira (20/03), 31 alunos da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Os estudantes, que cursam Geologia, formam o primeiro grupo de graduação a visitar o local este ano. Em 2014, o Parque recebeu cerca de 15 turmas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
“É sempre um privilégio receber futuros profissionais da área. O Parque é um excelente campo de estudos, não apenas de geologia, mas, também, de paleontologia, arqueologia e história”, disse Luís Otávio Castro, gerente do local.
As atividades tiveram início com uma palestra de Luís Otávio sobre o Parque, com foco na geologia. Em seguida, os estudantes conheceram o museu e a sala de vídeo do local, encerrando com trilhas para os afloramentos rochosos.
“Foi um dia muito enriquecedor, contribuindo bastante para aperfeiçoar nossa avaliação e identificação dos tipos de rocha. Estamos começando a faculdade agora. Já temos uma noção pelas pesquisas que fazemos na internet, mas é muito melhor vir a campo para ver in loco“, disse Sandra Paim, 29 anos, aluna do 1º período.
Quem estiver interessado em agendar uma visitação no Parque Paleontológico Municipal de São José pode entrar em contato através do e-mail parque.paleontologico@
O Parque Paleontológico de São José
Em 1928, um fazendeiro achou pedaços de rocha que considerou interessantes. Levou para análise e descobriu que se tratava de calcário. Com isso, a área foi vendida para a Companhia Nacional de Cimento Mauá, que aproveitou o material na construção da Ponte Presidente Costa e Silva (Rio-Niterói) e do Estádio Mário Filho (Maracanã). A fábrica foi visitada por grandes personalidades, incluindo alguns presidentes da república, sendo considerada uma das experiências mais bem-sucedidas de fabricação de cimento no país.
Com a exploração mineral, descobriram-se vestígios arqueológicos. E quando o calcário terminou, em 1984, restou uma depressão de 70 metros, que foi progressivamente coberta com água da chuva e de veios subterrâneos, erguendo um grande lago. Seis anos depois, em 1990, a Prefeitura Municipal de Itaboraí declarou a área de utilidade pública, através de um processo de desapropriação. Com isto, em 1995, nascia o Parque Paleontológico de São José, eleito pela Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleobiológicos (Sigep), órgão ligado à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), um dos patrimônios da humanidade.
No Parque já foram descobertos fósseis de diversos mamíferos, gastrópodes, répteis e anfíbios, se destacando o tatu mais antigo do mundo e o ancestral das emas. Ambos do Paleoceno, datados de cerca de 55 milhões de anos. Foram achados, também, fósseis de preguiça gigante e mastodonte, da Idade Pleistocênica (aproximadamente 20 mil anos). Também foram encontrados restos arqueológicos, evidenciando a presença do homem pré-histórico no local.