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Saúde

Itaboraí discute resultados do controle da tuberculose

Por Saúde

Publicado em 25/03/2015

Os indicadores de cura saltaram de 62% para 73,8% no último levantamento

A Secretaria Municipal de Saúde de Itaboraí (SEMS) e a Coordenação do Programa Estadual da Tuberculose apresentaram, nesta quarta-feira (25), os levantamentos e indicadores da doença no Estado do Rio e em Itaboraí. A apresentação ocorreu durante o III Seminário de Avaliação e Fórum de Pesquisas Operacionais, realizado no salão nobre da Prefeitura. A iniciativa faz parte da programação da Semana de Luta Contra a Tuberculose iniciada ontem (24), e que segue até o próximo sábado (28). 

De acordo com dados do setor de Vigilância Epidemiológica de Itaboraí, o número de pessoas que abandonam o tratamento da tuberculose caiu de 30%, em 2002, para 8,5% em 2013. Os indicadores de cura também melhoraram. Em 2002 eram 62% e em 2013 somam 73,8%. Em 2014, foram registrados 92 casos de tuberculose em Itaboraí. A taxa de incidência média foi de 40,5 casos por 100 mil habitantes. Em 2013 esse número foi de 51,1. Ainda de acordo com o relatório, nos últimos 10 anos, foram notificados 1.652 casos. Desse total, 66% pertencem ao sexo masculino e 34% do sexo feminino. As pessoas entre 20 e 34  anos foram as mais atingidas, com 37%, já entre os que possuem entre 35 e 49 anos, somaram 29% e entre 50 e 64 anos foram 18%. Entre os pacientes com algum tipo de agravo, o alcoolismo correspondeu por 42% das notificações, enquanto a Aids representou 18%, o diabetes 18%,  e doenças mentais 5%. Outras doenças somaram 17%.

Para o secretário municipal de Saúde, Edilson Francisco dos Santos, a queda no indicador de abandono e o crescimento no índice de cura traduzem o esforço contínuo de toda a rede realizado nos últimos anos. Ele também lembrou a importância de ações integradas com outras pastas para melhorar ainda mais os indicadores.

Dr. Edilson Santos dando abertura oa Seminário sobre controle da tuberculóse  em Itaboraí (1)

“Nós avançamos muito, porém, ainda não chegamos a nossa meta. A Organização Mundial da Saúde (OMS) determina que os municípios atinjam o índice de cura acima de 85% e reduzam para 5% a taxa de abandono dos pacientes em tratamento. A gente está dando passos importantes, por exemplo, com os atendimentos supervisionados, os grupos de adesão – formados por pacientes em tratamento – e a entrega da nova sede do Programa Municipal do Controle da Tuberculose (PCT) e do Laboratório Municipal – Setor de Tuberculose. Contudo, para irmos mais além, precisamos de ações intersetoriais”, afirmou o secretário.

Já a Coordenação do Programa Estadual da Tuberculose apresentou os últimos indicadores da doença no Estado do Rio de Janeiro. Segundo o relatório, em 2013 foram notificados 14.128 casos . Desse total, 87,3% foram localizados na regiões metropolitanas I e II. Dos casos notificados, 10% eram portadores de HIV positivo e cerca de 14% foram classificados como retratamentos – pacientes que em alguma fase da vida já desenvolveram a doença. De acordo com a Coordenação Estadual, os dados de 2014 ainda estão sendo consolidados, uma vez que até então há pacientes notificados com a doença no ano passado e que ainda permanecem em tratamento, que dura no mínimo 6 meses.

Para a gerente da Pneumologia Sanitária do Estado do Rio de Janeiro e coordenadora do Programa Estadual da Tuberculose, Ana Alice Bevilaqua, as regiões metropolitanas concentram o maior número de casos por apresentar uma grande concentração de pessoas.

Ana Alice Bevilaqua

“Como a transmissão se dá pela via respiratória, as áreas urbanas acabam sendo mais propícias. Nós estamos observando uma queda no número de casos no Estado, contudo, ainda esbarramos no diagnóstico tardio. No ano passado a Secretaria de Estado de Saúde se reuniu com todos os secretários para traçar metas e propor melhorias para o controle dessa patologia. A expectativa é que a gente tenha resultados ainda mais positivos nos próximos anos. E o comprometimento de Itaboraí será primordial nessa luta, já que está na lista dos municípios prioritários para o Ministério da Saúde (MS)”, disse Ana Alice.

Foram realizadas onze atividades no III Seminário de Avaliação e Fórum de Pesquisas Operacionais. Além da apresentação dos indicadores, pesquisadoras da Universidade da Columbia, dos Estados Unidos, exibiram o resultado da 1ª etapa da pesquisa, “Tuberculose e Depressão”, pioneira no Brasil, que teve Itaboraí como modelo. O projeto, coordenado pela doutora em Saúde Pública, Annika Sweetland, em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) será apresentado em setembro nos Estados Unidos, durante a Conferência Internacional – “Avançando metodologias eficientes, através de parcerias comunitárias e equipes científicas”. A pesquisa também deve contribuir na formulação e integração de serviços de saúde mental da Organização Mundial da Saúde.

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