Técnicas de agricultura incentivam tratamento da tuberculose em Itaboraí
Por Saúde
Publicado em 01/10/2015
Se a tuberculose é uma doença considerada silenciosa e solitária, em Itaboraí a luta contra esse mal é coletiva. No município, há pelo menos dois anos, existem os chamados grupos de adesão, formados por pacientes em tratamento. Nas reuniões mensais, além de informações médicas, eles encontram apoio daqueles que também enfrentam a enfermidade. Nesta quarta-feira (30), uma nova experiência foi introduzida pela prefeitura como parte do tratamento desses grupos: o aprendizado de técnicas e manejo para o cultivo de uma horta orgânica.
Segundo a coordenadora do Programa Municipal do Controle da Tuberculose, enfermeira Maria José Fernandes, em geral, aqueles que adquirem a doença tendem a perder peso e apetite. E quando iniciam o tratamento, a variedade de medicamentos ingeridos exige do paciente uma alimentação rica em nutrientes, o que, segundo a coordenadora, não ocorre corretamente quando não é incentivada pela equipe.
“A gente entende que a alimentação adequada funciona como um remédio. O êxito na cura, que demora ao menos 6 meses, passa por isso. A ideia é mostrar, que todo mundo pode se alimentar bem, com muito pouco. Mesmo quem não possui espaço em casa, pode fazer hortas verticais com garrafas pets, por exemplo”, afirma Maria José.
Todas as atividades serão orientadas por técnicos da secretaria municipal de Agricultura. No primeiro encontro, realizado nesta quarta, eles aprenderam noções básicas de semeadura, preparação de horta, aproveitamento de alimentos não convencionais e elaboração de horta vertical.
“A vantagem é que a hortaliças não têm agrotóxico, o custo é quase zero e você conta com uma variedade de verduras e legumes em casa. Um espinafre, por exemplo, pode ser consumido em até 40 dias, a alface, cerca de 30 dias, a rúcula, 2 meses. É uma questão de hábito e atitude”, explica Luiz Carlos Monteiro, técnico em agropecuária.
Aprovação
Há dois meses, Elizângela Mesquita, de 28 anos, moradora do bairro de Nova Cidade, frequenta o grupo de adesão. E o interesse pelo projeto veio após o diagnóstico de tuberculose no seu filho, de apenas 8 anos. Para ela, os encontros que já eram interessantes por apresentar informações descomplicadas sobre saúde, ficaram ainda melhores com as orientações sobre o cultivo de alimentos.
“Eu mesma não sabia que dava para plantar tanta coisa em pouco espaço. Estou tão empolgada com isso que penso em fazer o mesmo”, disse a jovem, que levou para casa sementes de diversas hortaliças.
Já para o comerciário, Carlos Aberto Oliveira, de 47 anos, que está no fim do tratamento, as atividades incentivam também a permanência do paciente durante os acompanhamentos.
“É um excelente aprendizado e estímulo, já que ao comermos melhor, ampliamos também nossa possibilidade de cura”, contou Carlos.
A iniciativa será apresentada no Seminário Fala, Comunidade: Histórias de Prevenção e Cuidado – Edição 2015 – Mobilização Comunitária frente à Tuberculose e a epidemia de Aids, que será realizado nos dias 06 e 07 de outubro, das 9h às 18h, no Hotel São Francisco, na Rua Visconde de Inhaúma, 95, no Centro do Rio de Janeiro.