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Educação

Teatro transforma vida de jovens e adultos em Itaboraí

Por Educação

Publicado em 21/09/2015

Creuma Fernandes, Lilliam Noblat e Zeca Palácio - Foto Sandro GironSe para alguns, o teatro se resume apenas na possibilidade de fama, para mais de 350 alunos da Casa do Artista de Itaboraí o gosto pelos palcos vai além da profissionalização. São crianças, jovens e até mesmo donas de casa que se reencontraram na arte de interpretar. Gente como a costureira Creuma Fernandes, de 56 anos, que após anos de profissão, resolveu encarar a plateia e vencer a timidez. Com isso, ela acredita que não só afastou o medo da depressão, como também fugiu de uma rotina que quase lhe custou a saúde.

“Sempre trabalhei muito. Tinha meu próprio ateliê em casa e passava horas e horas medindo, cortando e costurando. Quando não era isso, estava me dedicando às tarefas de casa. Atividades que me desgastavam muito. De um ano para cá, resolvi dar uma sacudida na minha vida. Foi então que conheci os cursos de interpretação da Casa do Artista. A partir daí, minha vida mudou”, conta Creuma.

A chegada da costureira de Itaboraí ao mundo das artes começou com o pé direito. Em apenas um ano de curso, conquistou um papel no grupo “Os legalizados”, que venceu o Festival Municipal de Esquetes deste ano. O concurso foi organizado pela Prefeitura de Itaboraí, e atraiu mais de 20 trabalhos. Antes disso, Creuma confessou nunca ter pisado num palco.

“A sensação de estar diante do público é indescritível. Agora que entrei, não pretendo mais sair. O teatro me fez acordar para o novo, para a vida e para muitas coisas que não via antes. Me deu mais confiança”, completa Creuma.

Esse desafio de subir aos palcos pela primeira vez também marcou a vida de Lilliam Noblat, hoje atriz profissional. Formada em Letras, chegou a fazer balé e tinha como sonho ser cantora. Para isso, até investiu em alguns cursos na área. Mas foi aos 23 anos, durante uma apresentação do grupo teatral “Inconscientes”, na cidade de Ouro Fino, Sul de Minas Gerais, que a jovem decidiu o que realmente queria.

“Eu fazia canto erudito, mas tinha dificuldade de soltar a voz. Na verdade, eu queria ser várias coisas. Porém, chegou  uma hora que tive que parar e pensar: que lugar poderia ser todas as coisas ao mesmo tempo? Descobri, então, que o teatro poderia me proporcionar tudo isso”, conta a jovem.

O desejo de saber mais sobre essa a arte de interpretar trouxe Lilliam para o Estado do Rio em 2013, a cerca de 470 km da cidade de Ouro Fino, onde cresceu. Em Itaboraí, conheceu a Casa do Artista, na qual permaneceu por quase dois anos. Entre os espetáculos que participou estão “O Mágico de Oz”, “Uma História Meio ao Contrário”, da escritora carioca Ana Maria Machado, e “Fabolândia”, escrito e produzido por ela. A peça vai circular por todas as escolas públicas e parte das particulares de Itaboraí a partir do dia 26 desde mês.

“Fabolândia traz para os palcos a importância da amizade verdadeira e do amor entre as pessoas. Isso será demonstrado a partir da aliança entre uma menina sonhadora e uma boneca de pano. Escrevi a peça no ano passado e não esperava que chegaria tão longe. No teatro há essas surpresas”, afirma Lilliam.

Para o ator e diretor da Casa do Artista, Tiago Atzevedo, exercitar a arte, seja ela qual for, e independente de profissionalização ou não, faz bem para qualquer pessoa.

“O nosso objetivo na Casa é levar a arte para a população, em todas as expressões possíveis, para que cada um encontre o seu lugar. Claro que sabemos que muitos alunos irão se profissionalizar, o que é fantástico. No entanto, mais que isso, é importante formamos público e cidadãos conscientes e da importância da arte e da cultura em nossas vidas”, afirmou Atzevedo.

Além da fama 

O texto de “Fabolândia” ficou pronto a partir do curso ministrado pelo professor de teatro e coordenador da Casa do Artista, Zeca Palácio, com quem Lilliam mantém a parceria. Com mais de 25 anos de profissão, Palácio é muito conhecido na região. Ele conta que é natural as pessoas iniciarem nos palcos buscando a fama.

“Diferente da TV, o teatro não tem na fama a sua essência. É mais que isso. Tanto que, é comum muitas mães notarem a mudança de comportamento dos filhos após o curso. De gente que se abriu mais, se tornou menos tímido, e também que venceu o estresse e o mau humor”, conta.

O Projeto

Atualmente, quase 370 alunos são beneficiados pela Casa do Artista de Itaboraí. Além do curso de teatro, há atividades de iniciação em artes cênicas, dança, coral, canto e roteiro para cinema e TV. O espaço fica localizado na Rua Coronel Leal, nº 75, no Centro. Outras informações sobre o projeto podem ser obtidas pelo telefone (21) 3639-2039.

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