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Artesanato ganha força em Itaboraí
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Publicado em 18/03/2015
Número de alunos na escola de artes do município aumentou após crise do Comperj
No Dia Mundial do Artesão, celebrado nesta quinta-feira (19), Francisca Nascimento, 57 anos, é umas das produtoras com motivos de sobra para comemorar. Durante boa parte da sua vida profissional ela trabalhou como doméstica em Itaboraí. Com o tempo, os problemas de saúde a impossibilitaram de exercer a profissão. A alternativa para continuar ajudando nas despesas da casa surgiu com os cursos da Escola de Artes e Ofícios Professor Washington Luiz José da Costa, principal centro de capacitação e incentivo ao setor de artesanato mantido pela Prefeitura. Em apenas três anos, Francisca aprendeu as técnicas de pintura em tecido, boneca de pano, feltro e acessórios de cozinha.
“Com a especialização, veio o retorno. Passei a vender meus próprios produtos. Os lucros dos produtos ajudam nas compras do fim do mês. Mas também sobra alguma coisa gastar com diversão e beleza”, afirma Francisca, que já sonha em ter seu próximo negócio.
O número de artesãos tem crescido no município, de acordo com dados da Fundação Cultural de Itaboraí (FCI). Para o presidente da instituição, Cláudio Rogério Dutra, o cenário econômico na região, provocado pela crise do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), pode ser um dos fatores que contribuíram para que mais famílias optassem pela diversificação da renda.
Somente na Escola de Artes o número de alunos saltou de 1,2 mil em 2014 para cerca de 1,5 mil este ano. Ainda segundo Cláudio Rogério, a valorização deste segmento ocorre num momento importante para a cidade. Ele afirma que outras iniciativas da Prefeitura estão sendo tomadas para impulsionar o setor, como a criação de um quiosque de vendas do material produzido pelos alunos no Itaboraí Plaza Shopping, recém-inaugurado na cidade, além do estímulo a um ponto de cultura para os oleiros da região.
“A ideia é criarmos espaço para que os artesãos da Escola de Artes possam vender e divulgar seus trabalhos dentro do shopping. Isso vai acontecer em breve, tendo em vista que o Plaza foi inaugurado recentemente e ainda faltam algumas salas a serem ocupadas e finalizadas. Outra iniciativa que caminha a passos largos é a criação de um ponto de cultura para os oleiros. Esse projeto deve contar com um investimento de R$ 180 mil da Secretaria de Estado de Cultura (SEC). Neste momento, estamos em fase de levantamento da documentação necessária”, anunciou Cláudio, dizendo que um teste de aptidão será lançado para identificar potencialidades artísticas no município.
Ex-professor da Escola de Artes, Isaías Moreira, 44 anos, é um dos 40 ceramistas oficialmente cadastrados pela FCI que exercem a profissão no município. Segundo ele, a olaria é uma arte característica de Itaboraí, passada de pai para filho.
“Desde a infância modelava em madeira e hoje me dedico às olarias. Aprendi essas técnicas com minha mãe, que é descendente de uma tribo indígena. Hoje, o mercado tem espaço para todos. Desde que se ofereça produtos diferenciados e com qualidade. Uma peça pode variar entre R$ 50 e R$ 200 no mercado. Com o ponto de cultura todos devem ganhar”, afirma Isaías.
Capacitação
As inscrições para a Escola de Artes, que funciona no Centro, ocorreram no ano passado, mas ainda há vagas. São 25 os cursos oferecidos. Entre os mais procurados estão o de patchwork, manicure, boneca, arte em feltro, pedraria, tear, tricô, crochê, bordados, modelagem em argila, pintura em tecido, corte e costura, desenho artístico e pintura em tela.
Para se inscrever são necessárias apenas cópias da identidade, CPF e comprovante de residência e uma foto 3X4. As oficinas acontecem em dois turnos, de segunda a sexta, das 8h às 17h.
“Em Itaboraí e em outros municípios do Rio de Janeiro esse mercado está em plena expansão. Muitas pessoas, que ainda não possuem uma profissão específica ou têm dificuldades de encontrar vagas no mercado, procuram nosso espaço para se profissionalizar e obter novas fontes de renda. A lucratividade neste segmento varia em função do tipo de trabalho, peça, material, grau de dificuldade e também identificação”, destacou Analice.
A dona de casa Ângela Maria Pereira, 34 anos, é um exemplo de entusiasmo pelo trabalho. A identificação com o curso de pedraria, segundo ela, começou após a amizade com a professora. Em apenas três semanas, Ângela afirma que já conseguiu preparar sua primeira peça.
“Uma sandália, por exemplo, que custa R$ 16 no mercado, pode ser vendida por até por R$ 39,90 após o trabalho. Estou me esforçando para aprender o máximo de técnicas possíveis e assim ganhar um dinheiro extra. Os clientes estão aí, é só a gente se capacitar”, disse Ângela.
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