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Educação

Artesã de Itaboraí vai expor em Lisboa

Por Educação

Publicado em 27/08/2014

Atividade profissional começou despretensiosamente, há menos de um ano

EmanuelleUm convite para expor em Lisboa ainda este ano pegou a artesã Emanuelle Soraya de Melo, 31 anos, moradora de Itaboraí, completamente de surpresa. Principalmente pelo fato de o trabalho com o artesanato ser muito recente. Ela começou a aprender o ofício há menos de um ano, numa das oficinas oferecidas pelo Núcleo de Atendimento Psicopedagógico da Educação Municipal (Napem), que oferece o serviço às mães cujos filhos são atendidos na instituição, vinculada à Secretaria Municipal de Educação e Cultura. Inicialmente, Emanuelle resistiu aos convites para participar do curso, mas suas filhas deram o “empurrãozinho”. Elas foram as primeiras a aprender a confeccionar algumas peças, e  começaram a vender os trabalhos na escola. As vendas aumentaram, e então a mãe decidiu também frequentar as aulas para ajudar na produção de tiaras e arcos para cabelo.

Foi no segundo semestre de 2013 que Emanuelle conheceu o pólo de Nacinlândia do Napem, por intermédio da Escola Municipal Clara Pereira de Oliveira, em Nova Cidade. A instituição de ensino indicou o Núcleo para auxiliar no tratamento de suas filhas, na época com 11 e 8 anos – uma com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e a outra com problemas cardíacos e asma crônica, respectivamente.

Enquanto esperava o atendimento das filhas, Emanuelle, por diversas vezes, era convidada a participar da oficina de artes gratuita oferecida pelo Napem, mas sempre recusava a oferta. Achava que não tinha “paciência e jeito para as artes”. Mas a professora, Maria da Penha Ribeiro, 62 anos, nunca desistiu de cativar a futura aluna.

 “Aqui na oficina são aproximadamente 200 participantes. Eu não os forço a nada, os deixo livres. O intuito principal não é formar artistas, e sim, ocupar a mente, por conta do tempo ocioso que ficam aguardando o atendimento dos filhos”, explica Maria da Penha. “Mas logo que a Emanuelle começou a frequentar as aulas eu percebi o seu talento e dedicação, sempre buscando se aperfeiçoar, através de revistas e da internet”, destacou a oficineira de artes plásticas em geral, como fuxico, pintura em tecido, bordados, decoupagem e arte com materiais recicláveis, como papéis, plásticos e vidros, entre outros materiais.

Para a coordenadora do Napem – polo Nancilândia – Clara dos Santos Pereira, o objetivo da oficina de artes também é o de complementar a geração de renda das famílias, além de funcionar como terapia e integração dos pais dos atendidos.

“Assim como Emanuelle, outras mães estão se destacando, confeccionando suas próprias peças e vendendo, além de se integrarem com outros pais”, enfatizou Clara.

Em outubro do ano passado, após iniciar as aulas na oficina de Artes, Emanuelle deu uma “guinada” em sua vida e abriu o próprio negócio, tornando-se Microempreendedora Individual (MEI) no município. Agora, toda a família – esposo, mãe, irmão e cunhada – trabalha junta, incluindo as filhas, que ajudam no que podem. Os trabalhos mais realizados são encomendas para festas de casamento e aniversários, mas os pequenos itens não foram deixados de lado.

“Faço artesanato em geral. Tecido, MDF, EVA, fuxico, bordado, convites para festas, encadernação de caderno e agendas personalizadas, entre outros. Agora, eu e minha família vivemos do artesanato, exceto meu irmão, que tem outra fonte de renda. Em maio, considerado o mês das noivas, o lucro é maior, assim como nas datas comemorativas. Depois de pagar a todos, minha renda líquida mensal gira em torno de R$ 3 mil”, destacou.

Chamado de “Emanuelle Ateliê Fashion”, o espaço funciona na casa da família Melo, enquanto um outro local é reformado para abrigar o estúdio. O horário de expediente varia de acordo com as encomendas, geralmente de segunda a sábado, já que, para a artista, domingo é dia sagrado para passear e se divertir com as filhas.

Portugal

A viagem para Portugal será em dezembro. A data exata ainda será marcada. Foi por meio da página do ateliê no Facebook, que a oportunidade bateu à porta. Emanuelle foi convidada a expor seus trabalhos em um hotel na cidade do Porto, por duas semanas.

“Uma pessoa encomendou uma peça, e pouco tempo depois, um empresário amigo dela fez o convite. Será uma oportunidade única, de sentir o clima, conhecer outros tipos de arte e, quem sabe, abrir um novo mercado de trabalho, já que fui convidada até a morar lá. É lógico que tudo vai depender da proposta e do apoio da família, que irá comigo a qualquer lugar”, garante Emanuelle, que já tem novos planos para o início de 2015, entre eles, começar a cursar uma graduação de Direito.

Em relação ao Napem, Emanuelle ressalta que o serviço foi um divisor de águas na sua vida, e serviu de grande apoio para suas filhas, principalmente a mais nova.

“A Gabriele não tinha forças para reagir à doença e expressar seus sentimentos. Hoje ela já recebeu alta do tratamento e é outra criança. Interage bem com as pessoas e passa por cima dos problemas. Já a Sabrina passou a frequentar a Guarda Mirim da cidade e está adorando. São muitas atividades, e lá encontrou amigos”.

Napem

O Napem é uma unidade organizacional, cuja finalidade é prestar atendimento aos alunos matriculados na rede municipal de ensino de Itaboraí.  Atendendo estudantes que apresentam necessidades educacionais especiais, transitórias ou não – deficiências, transtorno global de desenvolvimento, dificuldades de aprendizagem, transtornos de aprendizagem, transtornos funcionais, distúrbios de comportamento, vulnerabilidade social – que interferem sua participação plena no cotidiano escolar.

Atualmente, 734 alunos são atendidos pelo Napem, da Educação Infantil à Educação de Jovens e Adultos (EJA), sendo assistidos por psicólogos, psicopedagogos, fonoaudiólogos, assistentes sociais e fisioterapeutas. A instituição também oferece oficinas de arte e orientação familiar para pais e responsáveis dos estudantes. Com uma equipe composta por 46 profissionais, o Napem conta com três núcleos, em Manilha, Parque Industrial da Reta e Centro (Nancilândia).

Segundo a coordenadora da Educação Especial de Itaboraí, Valéria Sales, o encaminhamento do aluno é feito pela unidade escolar onde o estudante está matriculado, por meio de um formulário próprio, a partir da observação da equipe técnico-pedagógica da escola.  

“O aluno recebe alta quando a equipe que o atende no Napem faz um estudo de caso e verifica que o trabalho proposto pelos especialistas foi alcançado”, finalizou Valéria.

Os assistidos realizam atendimento uma vez por semana, com duração que varia de 50 minutos a 1h30m, dependendo da sua dificuldade e o número de especialidades que necessitam. Os núcleos funcionam de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

O acesso aos serviços do Napem se dá por meio da rede pública municipal de ensino, que encaminha os alunos ao serviço, caso seja observado algum tipo de deficiência ao longo da rotina escolar.

Confira os trabalhos da “Emanuelle Ateliê Fashion”, na página do Facebook:

https://www.facebook.com/atelieemanuelle?fref=ts

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