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Educação
Biblioteca abriga exposição de artista com dificuldades de enxergar
Por Educação
Publicado em 12/07/2017
Aos cinco meses de vida, ainda na barriga de sua mãe, Suellen Caldeira foi diagnosticada com toxoplasmose congênita, uma infecção parasitária transmitida da mãe para o feto, durante a gestação por via transplancetária ou durante o parto. Dentre as sequelas, estão à baixa visão, tendo apenas 10% de uma vista e 5% da outra, além de paralisia na mão esquerda e dificuldade de locomoção. Mas isso, não foi empecilho para que ela viesse a se tornar uma artista.
Brigando a cada momento com as suas limitações, desde os dois anos de idade ela tem conseguido fazer trabalhos de desenho e pintura em tela, que deixam o público impressionado.
Aos 33 anos de idade, em sua primeira exposição, incentivada pela sua professora de arte e também artista Tânia Márcia da Costa, Suellen Caldeira destacou que a pintura significa mostrar que a arte vai muito além do que as pessoas acham. Uma espécie de liberdade e provação de que com Deus tudo é possível.
“É um sonho poder participar de uma exposição em conjunto com a professora Tânia Márcia, que é a minha mãe na arte, um anjo enviado por Deus na terra para me ajudar, assim como meu falecido avô, meu médico e minha tia Mazinha. Durante muitos anos, algumas pessoas diziam para eu não desenhar e pintar, pois iria gastar minha vista, mas eu nunca desisti. Hoje minha visão está estabilizada e todos pararam de falar isso. Agora quero ir mais longe e aprimorar meus desenhos, fazê-los os mais realistas possíveis”, disse Suellen, que para ver os detalhes de suas artes têm que passar para o computador, por meio de scanner.
A exposição das artistas ficará aberta gratuitamente na Biblioteca Municipal Joaquim Manuel de Macedo, no centro de Itaboraí até o dia 28 de julho. Ao todo, são 15 obras de arte confeccionadas em óleo sobre tela e ilustrações. Sendo sete obras de Suellen e oito de Tânia Márcia.
“Ver uma pessoa como a Suellen, alguém de certa forma limitada fazer os desenhos e pintura que ela faz é algo maravilhoso. É uma realização pessoal, que confirma o caminho que venho trilhando, minha missão é esta: ajudar as pessoas por meio da arte. A Suellen é muito observadora, e aprendeu mais ouvindo do que vendo. E mesmo depois de não ter aulas mais comigo, até hoje ela me liga para tirar dúvidas”, disse a professora Tânia Márcia.
Suellen Caldeira foi aluna de Tânia Márcia, portadora de baixa visão e realiza tratamento no Instituto Benjamin Constant, surpreendendo os médicos com seus desenhos, apesar da dificuldade em enxergar. As artistas em conjunto desenvolveram uma técnica personalizada para a aluna, onde ela utiliza a sua memória fotográfica como base para a confecção dos desenhos e pinturas.
Tânia Márcia da Costa é professora de artes aposentada do Estado e do Município, arteterapeuta e uma das fundadoras da Escola de Artes e Ofícios Professor Washington Luiz José da Costa, que teve seu início na Biblioteca. E ainda idealizadora do projeto “Arte Em Toda Parte”, também concebido na Biblioteca em 2010, sob a sua gestão. Atualmente trabalha no Centro Terapêutico Elcio Boccaletti França com arte terapia e no Colégio GAP, com educação artística.
Artistas interessados em expor seus trabalhos, bastam se inscrever na própria instituição, que funciona na Praça Marechal Floriano Peixoto, nº 39, Centro, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Mais informações pelo email: bibliomacedo@itaborai.rj.gov.br
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