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Educação

“Alguns autistas apresentam talentos especiais”, diz médico

Por Educação

Publicado em 08/04/2016

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Mauro Lins

Diretor-médico da Clínica-Escola do Autista de Itaboraí, Mauro Lins é pediatra, nutrólogo e neuropediatra, além de coordenador para o Brasil da International Child Health Network – American Academy of Pediatrics. Entre as formas de tratamento do autismo,  ele enfatiza a necessidade de cuidado com as condições gastrointestinais do paciente e acredita na possibilidade de que fatores ambientais combinados com uma pré-disposição genética sejam a chave para explicar o aparecimento da condição que caracteriza o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Confira a entrevista:

Como podemos definir autismo?
O Autismo diz respeito a um grupo complexo de desordens do desenvolvimento neurológico caracterizado por graus variáveis de dificuldades de socialização, de comunicação verbal e não verbal e pela presença de comportamentos repetitivos.

O que pouca gente sabe a respeito da condição, mas deveria saber?
Alguns autistas apresentam talentos/habilidades especiais, com destaque para matemática, artes, informática.

Quais os principais fatores já conhecidos que podem desencadear o autismo?
Ainda não há uma causa isolada determinada.  Parece haver uma interação entre uma pré disposição genética e fatores ambientais.

O que o intestino tem a ver com o autismo?
Várias autistas apresentam alterações do funcionamento gastrointestinal. Muitas vezes manifestações de agitação e ansiedade melhoram quando as condições gastrointestinais são corretamente abordadas e tratadas.

Ainda há carência de especialistas em autismo no Brasil? Como está o panorama hoje na medicina brasileira? É possível traçar um paralelo com outros países?
Não existe exatamente um especialista em autismo.  A maioria dos casos é acompanhada por médico neurologista e/ou psiquiatra. É importante que os pediatras sejam capacitados para o diagnóstico precoce. A medicina brasileira encontra-se em contínuo processo de evolução quanto ao diagnóstico, porém as modalidades terapêuticas ainda são muito direcionadas para o uso de medicamentos.  Países com mais recursos financeiros oferecem mais opções de tratamento com equipes multiprofissionais em caráter mais intensivo.

O que há de mais avançado em termos de tratamento de autismo no mundo?
Abordagens que incluam os vários benefícios que a tecnologia proporciona aos autistas para uma vida independente, equipe multidisciplinar treinada ou familiarizada com o método ABA, terapia com caráter mais intensivo, aconselhamento nutricional e integração entre educadores, familiares e profissionais

Qual a importância da Clínica-Escola do Autista de Itaboraí?
O pioneirismo na integração escola/terapia, a fim de permitir melhor inclusão na escola regular. O foco na capacitação de professores e a quebra de preconceitos. A possibilidade de abordagem médico nutricional, não limitando o tratamento ao uso de “calmantes”. E o fato concreto da melhora evolutiva da maioria dos pacientes, de forma mais rápida e profunda, segundo os relatos dos familiares e profissionais das escolas, para os que não estudam lá.  Os depoimentos desses familiares são de fundamental importância para a quebra de preconceitos em relação a abordagens mais modernas e naturais.

De que forma o Brasil pode capacitar profissionais para lidar corretamente com o autismo?
Investindo em projetos como a Clínica-Escola do Autista de Itaboraí.  Dei início a uma parceria entre o pioneiro Instituto de Pesquisa de Autismo de San Diego, na California, e  a prestigiosa Cleveland Clinic em relação ao Brasil. Palestras em forma de vídeos com profissionais de ponta, como da Universidade de Harvard, estão sendo legendados. As abordagens das palestras quebram uma série de preconceitos e educam profissionais no sentido que o autismo é uma condição que não está restrita ao cérebro. Em seguida, teremos contato em tempo real com esses palestrantes durante eventos e faremos eventos com eles aqui.

Quais os primeiros sintomas que devem fazer os pais desconfiarem de autismo?
Atraso de linguagem, isolamento social e comportamentos repetitivos.

O autismo deve ser encarado como epidemia? Quais são os números no Brasil e no mundo?
O aumento espantoso no número de casos diagnosticados não é explicado somente pela  conscientização sobre o autismo. Temos um fenômeno mundial. Desconheço estatística oficial do Brasil. A do Centro de Controle de Doenças dos EUA relata a prevalência de 1 caso para cada 68 crianças. A condição é 5 vezes mais comum em meninos. Estudos na Ásia e Eropa indicam prevalência média de 1%. Um estudo na Coréia do Sul encontrou uma prevalência de 2,6 %.

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